sábado, 19 de dezembro de 2009

3 , 4 , cinco

Nos sentamos logo ali, a beira da escada. Uma mesa e dois lugares. Nada havia entre nós , nenhum segredo , nenhuma forma escondida , nenhuma palavra omitida.
Não viámos as pessoas que circulavam , eram apenas figurantes de nós ; da nossa história.
Virava, mexia impaciente as mãos e os olhos passeavam pelo local. Inevitavelmente , os olhos dele voltavam pra ela.
Ela mexia no cabelo e as vezes falava demais. Fazia gestos , abria a boca e logo fechava.
Eram só mais um casal. Nada demais.
Ela não deixou escapar nenhum detalhe , refez perguntas , aniquilou dúvidas e sobras de medo.
O tempo passou demais. Não percebemos.
Tão iguais , que chega a dar raiva.
Deslizando as mãos entre acordes antigos, conversavam , concordavam e mesmo descordavam um tanto. Releituras de grande nomes da músicas e suas respectivas opiniões sobre o assunto. Ela adorava aquele lugar , com as músicas e os livros . Cores e o amor da vida.
Percebia o quanto se davam bem , eram tão cumplices. Amores.
Bobagem , mas ela sempre voltava numa nuvem.
A nuvem de desejos , impressões e sabores que ele permitia a ela , toda as vezes que se olhavam.